Trechos de cartas de Lovecraft a respeito do Necronomicon (Traduzido)

Com relação à qualquer dúvida sobre a existência ou não do Necronomicon, livro presente nos Mitos criados pelo escritor Howard Phillips Lovecraft, basta dar uma olhada em alguns trechos de suas cartas para Edwin Baird, Robert Howard, entre outros e verificar sua real origem:

Para Edwin Baird (3 de fevereiro de 1924):

Certa vez reuniu uma coleção juvenil de cerâmicas orientais e objetos de arte, anunciando-me como um devoto maometano e assumindo o pseudônimo de “Abdul Alhazred”- que você reconhecerá como o autor do mítico Necronomicon, que arrasto para diversos de meus contos.

Para Robert E. Howard (14 de agosto de 1930):

A respeito do solenemente citado ciclo mítico de Cthulhu, Yog-Sothoth, R’lyeh, Nyarlathotep, Nug, Yeb, Shub-Nigurath, etc., etc.- deixe-me confessar que tudo isso é uma invenção minha, como o populoso e variado panteão da Pegana de Lord Dunsany. A  razão para seu eco na obra do Dr. de Castro é que esse cavalheiro é um cliente meu de revisões-em cujos contos copiei essas referências passageiras por pura diversão. Se qualquer outros clientes meus tiver seus trabalhos colocados na W.T. (*Weird Tales – Contos Estranhos), talvez você encontre uma expansão ainda maior do culto de Azathoth, Cthulhu, e dos Grandes Antigos! O Necronomicon do árabe louco Abdul Alhazred é, da mesma forma, algo que ainda deve ser escrito para que possua uma realidade objetiva.

5533085060_c0aa325b6b_zAbdul é uma minha personagem de sonhos favorita – certamente, era assim que eu costumava chamar-me quando tinha cinco anos de idade e um devoto transportado da versão das Mil e Uma Noites de Andrew Lang. Há alguns anos atrás, preparei uma sinopse pseudo-erudita da vida de Abdul, e das vicissitudes póstumas e traduções de sua obra horrenda e indizível o Al Azif…- uma sinopse que seguirei em futuras citações dessa coisa escura e amaldiçoada. Long aludiu ao Necronomicon em alguns de seus trabalhos- de fato, acredito que é muito divertido emprestar um ar de verossimilhança a essa mitologia artificial por meio de larga citação. Devo, contudo, escrever para o Sr. O’Neail e libertá-lo da ideia de que possui um grande ponto cego em sua erudição sobre mitologia!

Para Robert E. Howard (4 de outubro de 1930):

Li as Mil e Uma Noites com cinco anos. Naqueles dias costumava vestir um turbante, uma barba de rolha queimada no rosto, e me chamar pelo nome sintético (somente Alá sabe de onde o tirei!) de Abdul Alhazred- que mais tarde revivi, em memória dos velhos tempos, para conferi-lo ao autor hipotético do hipotético Necronomicon!

Para Robert E. Howard (7 de maio de 1932):

Acerca de escrever o Necronomicon – queria eu ter a energia e o engenho para fazê-lo! Temo que seria um pesado trabalho em vista das passagens e intimações muito diversas que atribui-lhe no curso do tempo! Posso, entretanto, expedir um resumo do Necronomicon – contendo apenas as partes consideradas razoavelmente seguras para uso da humanidade! Quando o Livro Negro de von Juntz e os poemas de Justin Geoffrey estiverem no mercado, certamente terei de pensar sobre a imortalização do velho Abdul!

Para Robert Bloch (9 de maio de 1933):

A propósito, não existe o “Necronomicon do árabe louco Abdul Alhazred.” Aquele volume infernal e proibido é uma concepção imaginativa minha, que outros do grupo W.T. também usaram como um pano de fundo de alusões.

To Robert Bloch (early to mid July 1933):

Sobre o “Necronomicon”- o uso triplo de tais alusões neste mês está me trazendo um número não usual de questionamentos sobre a real natureza e a possibilidade de obtenção dos trabalhos de Alhazred, Eibon & von Juntz. Em cada caso eu confesso francamente a falsidade envolvida.

Para a Senhorita Margaret Sylvester (13 de janeiro de 1934):

A respeito do Necronomicon – devo confessar-lhe que esse volume monstruoso e abominável é meramente uma criação de minha própria imaginação! Inventar livros horrendos é um passatempo e tanto entre os devotos do fantástico, & . . . . . muitos dos colaboradores regulares da W.T. tem tais coisas em seu crédito – ou discrédito. Usar os demônios sintéticos & livros imaginários uns dos outros realmente diverte diferentes autores – de modo que Clark Ashton Smith frequentemente fala do meu Necronomicon, enquanto eu me refiro ao Livro de Eibon dele. . & e assim por diante. Esse compartilhamento de recursos tende a criar um grande pano de fundo pseudo-convincente de mitologia obscura, lendas, & bibliografia – muito embora, certamente nenhum de nós tem o mínimo interesse em confundir de verdade os leitores.

Para Robert H. Barlow (14 de agosto de 1934):

[P.S.] Acabei de receber mais 2 questionamentos sobre a existência do Necronomicon!

Para William Frederick Anger (14 de agosto de 1934):

Quanto ao temido Necronomicon do árabe louco Abdual Alhazred – devo confessar que tanto o volume maligno e o autor amaldiçoado são criatura fictícias minhas – assim como as entidades malignas de Azathoth, Yog-Sothoth, Nyarlathotep, Shub-Niggurath, &c. Tsathoggua & o Livro de Eibon são invenções de Clark Ashton Smith, enquanto que Friedrich von Juntz & seu monstruoso Unaussprechlichen Kulten originaram-se na mente fértil de Robert E. Howard. Pela diversão de criar um círculo convincente de folclore sintético, toda nossa gangue frequentemente aos demônios de estimação dos outros – assim, Smith usa meu Yog-Sothoth, enquanto que eu utilizo o Tsathoggua dele. Ainda, às vezes insiro um demônio ou dois dos meus nos contos que reviso ou escrevo para clientes profissionais. Deste modo nosso panteão negro adquire uma publicidade extensiva & uma pseudo-autoridade que não conseguiria de outra maneira. Entretanto, nós jamais tentamos passar isso como uma verdadeira fraude; mas sempre explicamos cuidadosamente aos curiosos que se trata de 100% ficção. Com o fim de evitar ambiguidade em minhas citações ao Necronomicon, criei uma breve sinopse de sua “história”… Tudo isso lhe dá uma espécie de ar de verossimilhança.

Para Willis Conover (29 de julho de 1936):

Agora, sobre os “livros terríveis e proibidos” – sou forçado a dizer que a maioria deles são puramente imaginários. Nunca houve qualquer Abdul Alhazerd ou Necronomicon, porque eu mesmo os inventei. Robert Bloch criou a ideia de Ludvig Prinn e seu De Vermis Mysteriis, enquanto que o Livro de Eibon é uma invenção de Clark Ashton Smith. O velho Robert E. Howard é responsável por Friedrich von Juntz e seu Unaussprechlichen Kulten… . Sobre livros escritos seriamente sobre temas obscuros, ocultos, e sobrenaturais – na realidade eles montam a pouca coisa. É por isso que é mais divertido inventar obras míticas como o Necronomicon e o Livro de Eibon.

Para Harry O. Fischer (final de fevereiro de 1937):

O nome “Abdul Alhazred” foi inventado para mim por algum adulto (não consigo me lembrar quem) quando eu tinha 5 anos & estava ansioso para ser um árabe depois de ler as Mil e Uma Noites. Anos mais tarde pensei que seria divertido usá-lo como o nome de um autor de livros proibidos. O nome Necronomicon… ocorreu-me no curso de um sonho.