Deus escreve certo por linhas tortas

Caro G.,

A respeito de sua pergunta… deveras impertinente e essas suas inquietações – pueris, veio-me a mente um caso ocorrido comigo há muitos e muitos anos, quando estava eu aproximadamente na mesma situação e idade em que você agora se encontra. Mero aluno, mas sem o privilégio de contar com mestres do calibre que você tão desmerecidamente possui e tão ingratamente negligencia. Minha condição pessoal e as circunstâncias miseráveis desta terrinha tão assolada pela guerra, pelo parasitismo e pela moral cristã forçaram-me a procurar mestres mais ou menos ocultos e a tirar-lhes a fórceps as preciosas lições. Cada paciente, cada situação, cada caso aparentemente desesperador e insolúvel, fez-me mestre de mim mesmo. E agora, por uma série de acasos e ocasos, teu.

O relato que lhe farei, jamais o fiz a mais ninguém. E o levaria ao túmulo, não fosse sua súbita, inconsequente e explosiva indagação.

Primeiramente e conhecendo sua costumeira agitação, deixe-me responder essas novas questões que já se agitam em sua mente mercurial: Não. Não porque nele haja alguma coisa de vergonhoso ou necessariamente criminoso. A verdade é que eu simplesmente esquecera-me de tudo isso. Ao menos na parte mais superficial, tão erroneamente chamada de consciente. Nunca considerei, é verdade, a importância quase absurda, mas sempre mascarada, que teve na construção do que sou hoje. Consequentemente, preste muita atenção, pois tanto o fato de você negligenciar mais essa lição, como a de não a entender em sua inteireza, certamente afetará o seu futuro e mais ainda os daqueles desavisados que o destino colocar em suas mãos, naqueles momentos em que o corruptível corpo humano falha.

Em segundo lugar: Não. Você já deve ter compreendido que não responderei o seu questionamento, nem o extricarei, como verdadeiro deus ex machina, do impasse em que você mesmo resolveu se enredar. Ele foi apenas o gatilho para ativar uma lembrança que reputava há muito perdida, uma ou outra sinapse já rota e dissolvida. E com a sua usual impertinência, certamente não guarda nenhuma relação de pertinência. Quando muito, talvez, de verdadeira contrariedade, ou melhor, desprezo. Queiram os deuses que isso seja um farol para trazê-lo de volta ao bom e árduo caminho. Pois se há alguma disciplina que você domina, certamente é a de se perder, sem retorno.

Ah! Memórias. Coisinhas tão fúteis, caprichosas e… plásticas.

Basta de digressões. Serviram para preparar-lhe o espírito, como o cheiro da refeição a um faminto. Pois bem, dizia, que estava eu, peripatético, perambulando, entre sombras, corredores e luzes frias. Já havia me separado há uma eternidade do meu contente grupo de colegas de residência e professores. Da mesma forma que nossas ideias e ideais se repeliam, volta e meia achava-me eu cada vez mais distante deles. Tudo era pretexto para a separação. Receava contaminar-me com seu otimismo e superficialidade e perguntinhas pré-fabricadas e respostas insossas. E isto foi bem antes de vocês me apelidarem de o Anomalista. Conheço bem tuas brincadeiras e dos teus colegas. Cada porta trancada, trancafiada, um livro de histórias, um mundo a explorar, uma doença, dois olhos arregalados a me espreitar. Estaquei. Estava em alguma parte diferente do nosocômio. Certamente já havia estado lá antes. Sinto-me transportar, para aquele antigo porão. Mas havia algo diferente do ar e não eram as pesadas partículas de poeira suspensas no nada. Nada. As sombras eram as mesmas, as mesas metálicas também, as lâmpadas queimadas, a visão enegrecendo, o gosto metálico de sangue, o frio no estômago quando se perde o chão e a pancada seca de meu rosto contra o chão áspero e cheio de pequenos pedregulhos, cacos e poeira.

Quando recuperei um pouco da consciência, um pesado joelho pressionava minhas costas. Tentei virar minha face, mas os ossos de meu pescoço reclamaram rangendo. Sentia o gosto de sangue e chão e velhice e podridão e frio. Minhas têmporas latejavam e só então tive tempo de sentir uma profunda dor. Tentei vislumbrar meu atacante. Mas era apenas um vulto, que ardilosamente, amarrava os pulsos de minhas duas mãos, às costas, com o que me pareceu ser um frio e cortante arame, decerto encontrado naquele mesmo depósito desativado. A porta de entrada não conseguia ver. Decerto o vulto já a havia trancado. Ninguém passava por ali mesmo, a não ser eu para fumar um ou outro cigarro. Decerto era uma bituca descartada que agora teimava em adentrar minhas narinas, pressionadas contra o chão sujo. Da minha garganta, saíram apenas grunhidos, que me soaram, além de tudo, efeminados e covardes.

O meu atacante íntimo soltou um grito, que converteu-se em uma risada alta, tétrica e artificial. Com uma mão acariciava e pressionava meu rosto contra o piso. Aproximou o seu rosto do meu, e o dele devia ser bem torto. E falou, bem alto, bem perto dos meus ouvidos:

-Não adianta gritar, doutor! Aqui todo mundo grita!  – uivou longamente – vão pensar que é só mais um louco!

E sussurrou:

-Aqui todo mundo é louco! Uma gota no oceano? Um grão de poeira no deserto? Ou só mais um tarado? Um pedófilo? Um fodido pervertido?

E eu podia sentir seu hálito sôfrego, dentro de minha boca. Aquilo realmente o estava divertindo. E sua língua molhada deslizando sobre o meu rosto.

E eu não sabia se tentava reagir. Pés e mãos atados, um pesado corpo deitado sobre minhas costas. Cem, duzentos quilos de puro ódio e sofreguidão. Ou se, de resto, mantinha-me ainda mais paralisado. Qualquer esboço de reação poderia atiçar ainda mais o apetite do meu assaltante.

-Cadê você, cadê você? Minha pequenina. – e ele, deitado sobre mim, fazia gestos exagerados, como se procurasse algo no chão, que ele sabia muito bem o que era.

E ouvi o arrastar de algo pesado, trazendo-o para a minha direção – Ahá! Você não pode se esconder do papai! – seria uma pedra? Uma caixa metálica?

-Papai vai te matar bebezinho! – debati-me sem mover-me um centímetro – e ele levantou aquele negócio, aquela coisa pesadíssima, seus dois fortes braços num simulacro de marreta.

– Vou esmagar tua cabecinha! Vou comer os teus miolos! Miolinho de pão! Vou abrir um buraco na tua cabeça!

E senti um forte deslocamento de ar, e um barulho ensurdecedor, e senti que era minha hora. Mas não, o tijolo partiu-se a alguns milímetros de minha testa. Senti o gosto de argila e poeira nas minhas narinas, queimando minha garganta. E ele se ria, e ria e ria.

-Não! E se eu te comer primeiro? E se eu enterrar meu pau no teu rabo até você cagar sangue? E pôs uma pesada mão na minha boca. E aproximou-se do meu ouvido. E puxou desajeitadamente minhas calças para baixo. E soprou: E se você gostar?

-Eu posso te passar uma doença, doutor! Você gosta de doença, não? Posso te passar uma doencinha bem filha da puta!

E passava as mãos em minhas nádegas. Até que encontrou minha carteira, num dos bolsos de minha calça. E puxou e disse: -Deixa eu ver!

-Você é casado, doutor! Tem filhos? Uma filhinha bem loirinha? Carinha da mamãe? Você sabe como é fácil sair daqui doutor! E se eu for até sua casa? E se eu pegar o teu maldito endereço na porra do arquivo? Você é só estudante, doutor? E se eu for até sua casinha e meter bem gostoso na tua filhinha? E depois estourar os dentes dela na parede? E se eu fizer tua mulher comer os miolinhos dela? E se eu arrombar a prostituta da tua mãe e atirá-la pela janela? E por fogo nela viva?

E eu já não conseguia mais respirar, com aquela mão áspera na minha boca.

-O quê? Não estou entendendo nada? Você quer falar alguma coisa, doutor? Não estou te ouvindo? E se você morrer afogado?

Ele levantou-se e me arrastou para o que devia ser um vaso sanitário e enfiou minha cabeça lá, na água. Uma, duas, três, quatro, vinte vezes.

-Está com sede, doutor?

E começou a dar uns risinhos finos, infantis.

-Eu vou te furar. Vou te furar. Vou te furar. – e realmente começou a enfiar algo fino e pontudo em minhas costas. Uma seringa? – Ih! O doutor está vazando!

– Agora vou enfiar tua mão naquele moedor de carne, seu viadinho! Seu corno! Sua mulher está agora mesmo sendo enrabada, enquanto você está aqui! Comigo!

E já nem sabia mais o que estava acontecendo, muito embora, aquilo tudo parecesse apontar para um caminho. Uma lógica.

E ele começou a se irritar mais e mais e desferias violentas pancadas e tapas no meu rosto. E gritava:

-O que é isto, doutor?

-O que é ISSO, doutor?

-Responda, senão vou arrancar tuas unhas, vou te capar com um estilete, vou arrancar teus ovos com os dentes. Eu juro! Eu juro! EU JURO! – E baixou minhas calças, expondo-me, flácido.

Pela última vez, bem baixinho:

-O que é isso?

Balbuciei:

-São…

Ele soltou os meus cabelos. Cai ajoelhado no chão. Ele afastou-se e começou a choramingar em algum canto escuro.

-São medos… – respirei, ávido, o ar frio que cortava como fogo meus pulmões.

 

Como você pode muito bem imaginar, G. Minha situação era deveras precária. O assalto parecia ter cedido momentaneamente. Contudo, a qualquer momento, poderia recomeçar, exatamente de onde parou. E ao mesmo tempo que mil pensamentos desconexos fugiam e escondiam-se nas mais recônditas frestas de minha mente, na vã tentativa de encontrar uma solução, como se aquilo fora nada mais que um quebra-cabeças. Ao mesmo tempo, não podia deixar de admirar o caráter pedagógico daquele monólogo. Certamente havia prendido minha atenção e me tornado em seu inteiro aluno. Assim como certamente estava preparando meu espírito para o que viria depois, seja galopando como um cavalo ou esgueirando-se tal qual uma cobra.

E estaria mentindo se lhe dissesse que o que vou contar agora foi o que realmente aconteceu. Pois ele falava baixo e parecia ora se esconder debaixo de alguma mesa, ora se esgueirar, rastejando pelo chão, até postar-se às minhas costas e sussurrar em meus ouvidos, ora minha respiração pesada me impedia de ouvi-lo, ora ele se calava, ora uivava e grunhia palavras desconexas e punha-se a cantarolar cantigas infantis. E sua fala era entrecortada por digressões que nada guardavam de pertinente com a história principal. E tanto tempo já passou. A memória tem essa qualidade de melhorar as coisas com o passar dos dias, como um bom vinho. E a história que me contou, que na verdade era um enigma, com as partes todas embaralhadas, o começo não era o início, nem havia algum fim, que nem fazia muito sentido e precisava constantemente traduzir, ou ao menos sua essência, que consigo recordar, foi essa:

-Você sabe do que tenho medo?

Começou, ou por várias vezes interrompeu seu raciocínio já naturalmente entrecortado e interpolado, recordando-me que o medo é a mola propulsora da humanidade. O homem é apenas um mecanismo, e seu combustível é o medo.  O medo de não ter o que comer. O medo de ser abandonado, o medo de falhar, o medo de ser traído, de ser humilhado, de ser queimado vivo, de morrer afogado, de não poder honrar seus compromissos, o medo da morte, da dor, de ser esquecido, de ser execrado, o medo do escuro, de ter seus segredos revelados, de sentir vergonha, de contrair uma doença, o medo de não temer nada e cometer uma idiotice, o medo de ter medo. Na verdade, não há vontade. Há apenas e tão somente o medo. Puro, primal e livre. Livre arbítrio é uma ilusão. Cada qual de suas ações é determinada por algum medo, que se apresente ou se esconda daquilo que chama de consciência, que nada mais é do que uma câmara de medos, em que cada sentido, cada impressão, como numa sala de espelhos, distorce e exalta e amplia uma figura grotesca. Cada percepção ativa um medo. Como a amídala é um resquício do reflexo de ataque e fuga do réptil de sangue frio. Todo o seu cérebro evoluiu desse núcleo covarde e mesquinho. O ambiente te programa a reagir. E a língua dessa programação, como notas em uma partitura, é a língua do medo. Até mesmo você, que gosta tanto de ler, lê porque tem medo da realidade. A primeira bactéria, quando se dissolvia e era fagocitada em um mar ácido e infinito de violência cega, não sentiu calor, nem frio, nem dor. Sentiu medo. Essa desagregação do seu eu mais profundo, esse corromper de seu corpo, essa desordenação das ideias, é o medo. Todo sistema é baseado no medo. Religiões e mercados e jogos, deuses raivosos, infernos e marginalização social. Há entretanto, a possibilidade de se estudar, decifrar essa estranha gramática. Há verbos que te perpassam como pura dor, e adjetivos do mais abismal e abjeto apodrecer. Conjunções ligam uma tragédia a um luto a uma comédia, e numerais que elevam teu horror ao infinito, e interjeições de gritos silenciados. Podem-se declinar e conjugar horrores e compor poesias de sangue, com o metro da loucura. E advertia-me constantemente, de que os medos pelos quais passei, eram meras sombras, reflexos pálidos, do verdadeiro medo. Do medo absoluto, que nossos sentidos sequer podem captar em sua inteireza. E falou-me da natureza sequencial do tempo, de como um fato sucede ao outro. Sem cessar, em uma marcha, como se houvesse algum objetivo nisso. Um destino. E de como tal se assemelhava a um texto. E um texto em tudo se assemelha a uma teia de aranha. Em que as palavras se concatenam para criar um sentido, descrever um objeto, narrar uma situação, revelar uma ideia. E quem seria o gênio que conseguiria achar a Pedra de Roseta para decifrar o indecifrável. Que era então o medo absoluto, dos quais todos os medos são apenas infinitesimais parcelas ou letras, vírgulas, pontos finais e interrogações?

E em meio a tudo isso, tentava relatar uma lembrança de sua vida anterior. Antes de sua internação no manicômio. E acreditava que era uma pessoa comum, com um emprego comum, das 9 da manhã às 5 da tarde e uma família comum, com suas briguinhas e afetos comuns. Até que numa certa tarde, por sinal bem comum, lia seu jornal, quando de repente sentiu um tremor, rápido, como um terremoto. E um calafrio perpassou-lhe, como se um tentáculo de ar gélido, ou a morte, tivesse lhe atravessado. E houve uma rápida mudança no ar. Uma mudança nas próprias cores. Um presságio, um pressentimento, de desespero silencioso. Chamou pela filha mais nova, esta veio, assustada, certamente havia sentido também. Carregava uma boneca, de pano, bem grande, apertada pelos dois bracinhos. Os olhos bem arregalados. Perguntou se estava tudo bem, onde estava sua mãe? Na parte superior da escada, a filha mais velha. Olhava para baixo, espantada. Um som agudo perpassou o ar, num crescendo, um sibilar. A filha menor, abriu a boca para dizer papai, mas de lá saiu uma língua estranha, inaudita e golfadas de sangue. Tomou-a rapidamente nos braços e queria correr dali, mas não sabia para onde ir. E ela parecia desfazer-se em seus braços e parecia cada vez menor. E havia algo cortando o ar, como que finos tentáculos, invisíveis, e a cada toque, tudo parecia desvanecer e pulsar. E um leve toque e sua filha parecia estar mais velha, e outro resvalar e parecia muito doente, e outro e parecia outra pessoa, e já não era mais sua filha, era um cachorro, peludo, contraindo-se de dor. E tentou subir as escadas, mas não eram mais escadas, era uma porta, aberta. E sua esposa veio da cozinha, que não era mais cozinha, era um porão e carregava uma faca, que não era uma faca, mas uma pena e outro fraco deslocamento de ar, e já não era mais sua esposa, ainda possuía as mesmas faces, o mesmo cheiro, mas era outra pessoa. E ele já não sabia mais quem era. E suas ideias se rearranjavam e ora queria salvá-las e salvar-se, mas não sabia do quê. E ora queria matá-las. Ou matá-los. Pois já não eram mais duas, mas sim três. E o cachorrinho em seus braços dizia: “Papai! Papai! Socorro”. E logo era sua filha novamente, coberta de pústulas, e agonizando e suas pústulas vertiam um pus negro de fórmulas matemáticas e inequações. E ora a escada reapareceu e sua visão turvava-se e as luzes ora o cegavam, ora eram escuridão, e ele conseguia enxergar na escuridão, e ora estava cego mas conseguia ouvir os gostos e as palavras de sua família, e ora conseguia sentir prazer com a facada em suas costas, que não eram mais suas costas, mas o televisor em uma tela profundamente azul, com rostos que piscavam e gritavam impropérios. E a sua filha mais velha havia desaparecido. Mas desaparecido mesmo, pois não mais se lembrava dela, e lembrava-se de coisas que nunca haviam acontecido. E podia sentir o gosto das palavras no jornal, e ter um orgasmo de desespero. E aborrecimento e inércia e queda e não conseguia exprimir em palavras o que sentia e o que via e o que imaginava. E formas geométricas exalavam um odor de podridão e abismo. E uma figura, uma gigantesca aranha feita de cartas de baralho e escuridão e vacuidades e sono o havia prendido em sua teia e tecia sua vida em fios de medo, e nunca se sentiu tão livre. E quando acordou estava naquele manicômio.

Provoquei e arrisquei um palpite ao mesmo tempo.

-Sei quem é você. Você é famoso aqui. Você matou sua própria família e agora, essas falsas lembranças, não passam de uma racionalização, uma fantasia, uma fuga, para não ter que enfrentar a realidade. Saiba que jamais escapará disso. Sei o que você teme. Você teme se lembrar.

-Não! – ele disse, exaltado – Você não entende! Eu sei que matei minha família. Com estas mãos. Mas não era eu. Essa é a nova realidade. Nesta realidade eu os matei. Sei bem disso. Mas nesta realidade, matei uma filha. A outra jamais existiu. Foi completamente apagada. E eu me lembro das duas realidades, desta e da outra. Do que podia ter sido e não é mais. Algo mudou tudo. Algo revisou o texto. Eu faria de tudo para viver minha outra vida. Já não consigo nem mais lembrar do rosto de minha filha mais velha. Mas sei que ela existiu, em algum lugar. Pensei que se enlouquecesse poderia estar junto com ela novamente. Mas não consigo.

Sorri-lhe então que seu deus devia ser bem desajeitado para, ao mesmo tempo que demonstrava seu poder de alterar toda uma realidade, mudando passado, presente e futuro de um só golpe, permitir que uma de suas vítimas se lembrasse dessa outra realidade apagada. Ao que ele me replicou, antes de dar-me uma violenta pancada na nuca que fez o mundo desaparecer, e com o mundo meu agressor, que jamais tornei a ver:

-Você não entendeu nada! Não era um deus, não há deuses. Era um escritor.